Mulher, de 40 anos de idade, pertencente a uma comunidade indígena e residente em uma grande capital do Sudeste, retorna após viagem para visitar a família no interior do Pará. Há alguns meses, ela percebe “manchas claras” na face lateral da perna direita e relata que a área fica “dormente, como se estivesse anestesiada”. Ao exame físico, observam-se duas lesões hipocrômicas bem delimitadas, com redução da sensibilidade térmica e dolorosa. Após o manejo do evento adverso, a equipe multiprofissional opta por fazer uma visita domiciliar à paciente. Ela conta que a pajé da comunidade recomendou aplicar diariamente um unguento de ervas “quentes” sobre as áreas dormentes para “acordar o sangue” e orientou evitar “remédio forte da cidade” porque “pode piorar o espírito do membro dormente”. A paciente ficou com medo da medicação e está pensando em interromper o tratamento. Ela também relata medo de ser discriminada na própria rede de parentes, pois “vão dizer que está com a alma suja”. Qual é a resposta clínica e ética correta dentro dos princípios de integralidade, equidade, prevenção de incapacidade e abordagem psicossocial?