Leia o relato do caso clínico a seguir. Paciente, C.M.S., feminina, 59 anos de idade, auxiliar de serviços gerais, casada, sedentária, hipertensa controlada em monoterapia, nega demais comorbidades, nega alergia a medicamentos, nega etilismo, nega tabagismo e nega consumo de outras drogas. Faz terapia cognitivo comportamental (TCC) uma vez por semana. S1. Paciente refere dor em todas as "juntas”. Relata que dor multifocal iniciou há 2 anos, forte intensidade (10/10) e ocorre com piora vespertina, fadiga acentuada e sono não reparador. Negou alteração dermatológica, exceto por ter apresentado, recentemente, episódio de celulite periorbital à esquerda, quando a "maçã do rosto" ficou extremamente eritemada e edemaciada; tratou com amoxicilina e clavulanato, apresentando melhora dentro de alguns dias. Índice de Dor Difusa (Widespread Pain Index): 6. Escala de Severidade dos Sintomas (Symptom Severity Score): 10. STOP-BANG = 6 pontos. 01. PA 138/86 mmHg; sem sinovite no momento; hipersensibilidade difusa à palpação; IMC 36 kg/m². Exames (há 3 dias): VHS/PCR 1,5× o limite superior da normalidade; TSH normal; hemograma sem alterações; ferritina normal; FAN (ANA) negativo. Com base no registro clínico SOAP apresentado, qual é o complemento de “A” e de “P”?
A
A1. Fibromialgia. A2. Alto risco de Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS). P1. Educação, exercício gradual e TCC; iniciar duloxetina 30 mg/dia, com titulação até 60 mg/dia; evitar opioides (não demonstraram benefício na fibromialgia). P2. Solicita-se estudo domiciliar do sono (polissonografia tipo II/III); se negativo ou não conclusivo, deve-se prosseguir com polissonografia tipo I (laboratorial).
B
A1. Dor crônica multifocal em investigação. A2. Alto risco de Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS). P1. Amplia-se investigação autoimune (anti-dsDNA, anti-Sm, C3/C4) diante de marcadores inflamatórios elevados; se negativos, pode-se considerar fibromialgia (diagnóstico de exclusão); pode-se considerar tramadol em dor intensa 50-100 mg até 4 vezes ao dia, máximo 400 mg/dia. P2. Solicita-se estudo domiciliar do sono (tipo II/III); se não conclusivo ou negativo, deve-se prosseguir com polissonografia tipo I.
C
A1. Fibromialgia. A2. Alto risco de Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS). P1. Educação, exercício gradual e TCC; iniciar pregabalina 75 mg a cada 12 horas (titulação até 450 mg/dia); pode-se considerar tramadol 50-100 mg até 4 vezes ao dia, máximo 400 mg/dia. P2. Solicita-se estudo domiciliar do sono (tipo II/III); se negativo, pode-se encerrar a investigação de SAOS e atribuir a fadiga à fibromialgia.
D
A1. Dor crônica multifocal em investigação. A2. Alto risco de Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS). P1. Amplia-se investigação autoimune (anti-dsDNA, anti-Sm, C3/C4) diante de marcadores inflamatórios elevados; se negativos, pode-se considerar fibromialgia (diagnóstico de exclusão); evitar opioides (não demonstraram benefício na dor crônica difusa). P2. Solicita-se estudo domiciliar do sono (tipo II/III); se negativo, pode-se encerrar a investigação de SAOS e atribuir a fadiga ao quadro de dor crônica em investigação.