Ademir, 53 anos, pardo, trabalhador da construção civil, classe social baixa, veio em busca de check-up na Unidade Básica de Saúde. Considera necessário fazer novos exames de sangue por preocupação de falecer por infarto aos 54 anos como ocorreu com o pai dele. Sem doenças prévias. Fuma 15 cigarros/dia desde que os 15 anos; bebe 6 latinhas de cerveja 2 vezes por semana. Sem exercícios rotineiros no lazer. Hoje tomou diclofenaco há algumas horas, como costuma fazer 2 a 3 vezes por semana para dor lombar ou nas pernas após o trabalho. No prontuário, consta há 1 mês dosagem de colesterol total= 255mg/dL, HDL= 40mg/dL, glicemia de jejum= 98mg/dL. Ao exame, hoje está com pressão arterial= 146/96, IMC=24. Colocando estes dados na tabela de Risco Cardiovascular Global da OMS calibrada para o Brasil, você identifica haver 9% de risco de desfechos coronarianos duros em 10 anos.
Na consulta de hoje, é adequado informá-lo que
A
a ingesta etílica descrita é um fator protetor e, portanto, o risco cardiovascular específico dele deve ser menor do que os 9% calculados, sendo recomendado priorizar os esforços na abordagem do tabagismo, ajustando conforme o nível de motivação.
B
a história familiar é um fator de risco agravante e, portanto, o risco cardiovascular específico dele deve ser maior do que 9%, sendo recomendado solicitar com urgência exame do perfil lipídico completo e da hemoglobina glicada para melhorar tal estimativa.
C
o consumo frequente de diclofenaco é um fator de risco agravante e, portanto, o risco cardiovascular específico dele deve ser maior do que os 9% calculados, sendo prioritário prescrever hoje o início do uso de estatina, visando reduzir o colesterol total em pelo menos 25%.
D
a situação socioeconômica é um fator de risco agravante e, portanto, o risco cardiovascular específico dele deve ser maior do que 9%, sendo recomendado investigar o padrão alimentar e a princípio pedir apenas um exame hoje: a monitorização residencial da pressão arterial.
E
o sedentarismo é um fator de risco agravante e, portanto, a maior recomendação é que comece exercícios programados de forma rotineira, na intensidade e duração necessárias para obter redução da pressão arterial e do colesterol total, com precauções para não piorar as dores.